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Quando a dor não aparece no exame: por que imagem nem sempre explica o sintoma

  • 20 de mar.
  • 2 min de leitura

Ressonancia da coluna

Muitas pessoas acreditam que o exame de imagem mostra exatamente onde está a dor. Mas a verdade é que dor e imagem nem sempre caminham juntas.


O exame pode mostrar alterações estruturais, mas não mostra:

  • intensidade da dor

  • momento em que piora ou melhora

  • trajeto da dor

  • comportamento durante o movimento


Por isso, o manejo clínico e a avaliação funcional muitas vezes explicam muito mais sobre o sintoma do que a própria imagem.


Osteófitos (bico de papagaio) realmente causam dor?


Os chamados “bicos de papagaio”, tecnicamente conhecidos como osteófitos, são alterações degenerativas comuns.


Eles surgem geralmente como:

  • tentativa de estabilização de uma articulação

  • consequência de perda de altura do disco

  • resposta do corpo a uma instabilidade prévia


Apesar da fama, osteófitos quase nunca são a verdadeira causa da dor.


Na maioria dos casos, a dor está mais relacionada a:

  • inflamação discal

  • ativação do nervo sinovertebral

  • processos inflamatórios ativos


Ou seja, o exame pode mostrar o osteófito, mas ele pode não estar gerando sintoma algum.


Hérnia de disco dói sempre?


Não.

Hérnia de Disco
Modelo de hérnia de disco

Muitas pessoas têm hérnia de disco e nunca sentiram dor. Descobrem apenas quando fazem um exame por outro motivo.


Isso acontece porque:

  • lesões antigas podem não estar inflamadas

  • nem toda alteração estrutural é sintomática

  • o exame mostra anatomia, não mostra inflamação ativa com precisão


Assim como exames de sangue possuem valores de normalidade para cada idade, a coluna também apresenta um nível esperado de degeneração com o passar dos anos.


Após os 30 anos, é relativamente comum encontrar:

  • diminuição de altura discal

  • pequenas protrusões

  • alterações degenerativas leves


Muitos desses achados são acidentais e fazem parte do envelhecimento natural.


Dor aguda é diferente de dor crônica


Um fator fundamental para entender quando a dor não aparece no exame é diferenciar:


Dor aguda


Geralmente está ligada a:

  • processo inflamatório ativo

  • lesão recente

  • relação mais clara entre estrutura e sintoma

  • sofrimento em facetas


Dor crônica (dor nociplástica)


Em dores crônicas, o cenário muda.

Após cerca de seis meses, o sistema nervoso pode criar adaptações que mantêm a dor mesmo quando a lesão inicial já não é mais o problema principal.


O que acontece nesse processo?

  • O cérebro aumenta a sensibilidade à dor

  • Há reforço das vias neurais no tronco encefálico

  • O processamento da dor se mantém ativo


Ou seja, a dor passa a ser sustentada mais pelo processamento cerebral do que pela lesão estrutural em si. Nesse caso, você pode estar olhando para uma imagem que mostra uma alteração antiga, mas que já não é a causa real do sintoma.


O exame mostra estrutura, mas não mostra função


O grande erro é tentar explicar a dor apenas pela imagem.


A dor é multifatorial e envolve:

  • biomecânica

  • inflamação

  • sistema nervoso

  • fatores emocionais

  • padrão de movimento


Por isso, muitas vezes o exame é apenas uma peça do quebra-cabeça e não a resposta final.[


Conclusão

Se a sua dor não aparece no exame, isso não significa que ela não exista, nem que você esteja imaginando.


Significa apenas que:

  • nem toda alteração estrutural dói

  • nem toda dor aparece claramente na imagem

  • dor é muito mais complexa do que um laudo


A avaliação clínica cuidadosa, o entendimento do comportamento da dor e a análise do movimento são fundamentais para encontrar a verdadeira origem do sintoma.



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