Restrição articular: como compensações no corpo levam à dor crônica
- Marcela Petry

- há 4 dias
- 3 min de leitura
Você já percebeu que aquela dor na coluna até melhora por um tempo, mas sempre acaba voltando?

Muitas vezes isso acontece porque o corpo se adaptou a um padrão de movimento inadequado e é exatamente aí que entra a neuroplasticidade.
"A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro e o sistema nervoso têm de se adaptar aos estímulos que se repetem ao longo da vida. Em outras palavras, tudo aquilo que você faz de forma repetida acaba sendo aprendido pelo seu corpo, mesmo quando esse padrão não é o ideal."
Como hábitos repetitivos afetam a coluna
Quando falamos de coluna e biomecânica corporal, a neuroplasticidade tem um papel fundamental. Usar o corpo de forma desigual ao longo do tempo faz com que ele se adapte a esse desequilíbrio.
Alguns exemplos comuns:

cruzar sempre a mesma perna
dormir de barriga para baixo com o rosto virado sempre para o mesmo lado
trabalhar com o mouse muito à frente e sempre do mesmo lado
uso de telas baixas, mantendo a cervical em flexão.
praticar esportes que exigem movimentos repetidos para um único lado
Com o tempo, o corpo passa a organizar músculos e articulações para sustentar esse padrão.
Quando a adaptação vira compensação
Essas adaptações acontecem tanto na musculatura quanto na estrutura articular. Se uma vértebra é constantemente estimulada a se mover mais para um lado ou permanece muito tempo em uma mesma posição, o corpo tende a formar aderências e limitar o movimento daquela região.
É como uma porta que não abre direito: quanto mais você força, mais desgaste ocorre na dobradiça. O corpo funciona de forma semelhante. Para proteger a articulação, ele restringe o movimento e passa a funcionar dentro desse novo padrão, mesmo que ele gere sobrecarga em outras regiões.
Restrições que podem surgir desde cedo
As restrições articulares podem surgir em diferentes fases da vida. Em alguns casos, elas podem se formar ainda no período gestacional, dependendo da posição que o feto permanece por muito tempo no útero. Em outros, surgem após traumas, quedas, impactos ou acidentes.
Independentemente da origem, quando uma articulação entra em restrição, o corpo passa a compensar ao redor dela. Com o tempo, esse desequilíbrio tende a se espalhar.
Por que a dor volta com tanta frequência
Quando uma articulação permanece em sofrimento por um período prolongado, o desgaste local aumenta. O movimento anormal da coluna favorece alterações estruturais e inflamações, fazendo com que dores articulares apareçam e sejam sustentadas por tensão muscular ao redor da região afetada.
Quando o tratamento se limita apenas ao uso de medicação, o sintoma até pode aliviar, mas a causa continua presente. Sem devolver o movimento adequado à coluna e sem reorganizar o funcionamento do corpo, o sofrimento permanece e a dor tende a voltar.
Quando essa dor se mantém por três a seis meses, ela passa a ser considerada crônica.
Como a quiropraxia atua nesse processo
A quiropraxia analisa o corpo de forma global, observando a mecânica dos movimentos e as compensações que se formaram ao longo do tempo. O objetivo é restaurar o movimento articular, equilibrar a tensão muscular e permitir que o corpo volte a funcionar de maneira mais próxima do seu padrão natural.
A repetição do estímulo correto faz com que o sistema nervoso utilize a neuroplasticidade a favor do corpo, reorganizando o movimento e reduzindo o sofrimento articular que está por trás da dor.
Se você sente dores recorrentes na coluna, uma avaliação pode ajudar a identificar restrições antes que elas se tornem crônicas.







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